As Ordens Terceiras tiveram na sua origem a intenção de estender aos leigos os beneficios espirituais das regras monásticas e alguns privilégios, graças e indulgências de que gozavam os religiosos regulares.
A Ordem do Carmo, fundada em 1736, teve a sua sede, de Início, no Convento dos Carmelitas Descalços mas, em 13 de Maio de 1751, o Prior dos Carmelitas portuenses e os seus religiosos concordaram em ceder aos Terceiros o terreno e umas casas onde estes haviam de edificar a sua Capela e Casas da Secretaria.
No dia 29 de Agosto de 1756, lancou-se a primeira pedra para a construção da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. As obras começaram imediatamente de modo a que a Capela-Mor fosse utilizável como uma pequena igreja, tendo aberto ao culto em 24 de Julho de 1768 enquanto se continuava a construção do templo. O projecto foi da autoria do Arquitecto e Pintor José de Figueiredo Seixas, embora a Ordem, após ouvir a opinião de Nicolau Nasoni, decidisse alterar o projecto do varandim do frontispicio da igreja.
A fachada lateral toda revestida de magnificos azulejos, formando 6 painéis, tem no painel maior a Imposição do Escapulário no Monte Carmelo. O autor do risco foi o artista italiano Silvestro Silvestri que, como gratificação, entrou em 1912 para Irmão da Ordem Terceira.
Terminada a construção da Igreja, a Ordem ocupou-se de uma obra não menos meritória, e edifica a casa onde os Irmãos pobres fossem recolhidos e tratados nas suas enfermidades - o Hospital.
O Hospital foi inaugurado em 08 de tevereiro de 1801 e manteve-se em actividade durante mais de 200 anos, tendo sido encerrado por decisão da Ordem, no ano de 2012, depois de vários anos com elevadas perdas, não resistindo à concorrência dos grandes grupos privados entretanto chegados à saúde e construído Hospitais no Porto.
Durante as invasões francesas, O Hospital do Carmo destacou-se pelo elevado profissionalismo do seu pessoal médico e de enfermagem, tratando igualmente soldados franceses e portugueses, tendo sido objecto de manifestações de apreço de ambos os lados do conflito. Recorda-se que um regimento do General Soult ocupou as instalações do Convento dos Carmelitas e passou a utilizar o Hospital para tratar os seus feridos.
Em 1875, a Ordem do Carmo, inaugura um Ásilo para recolher os Irmãos pobres, dando Inicio a uma actividade que se mantém ainda hoje através do seu actual Lar. Esta função social da Ordem, conjuntamente com a Residência Sénior, constituem actualmente as principais actividades da Instituição.
Em 1869 é inaugurado e benzido, em Agramonte, o Cemitério da Ordem do Carmo, que ainda hoje é o maior cemitério privado no Porto, com cerca de 2000 sepulturas das quais mais de 1000 são jazigos.
No decorrer da sua longa história, não deve ser esquecida a criação, pela Ordem do Carmo, das Escolas de instrução primária, abertas a ambos os sexos, que foram alojadas num edifício contíguo ao Hospital faceando para o Carregal. As Escolas mantiveram-se em funcionamento até ao final do século XX.
Esta breve história da Ordem do Carmo llustra bem o que foi a sua obra grandiosa ao longo dos tempos, e que, apesar das vicissitudes por que passou, ainda perdura, Iluminada pelos principios de bem servir que lhe deram origem e sempre a orientaram até aos dias de hoje.