IGREJA DE S.GONÇALO DE AMARANTE 1581-1686

Varanda dos Reis

Em 1683, no tempo de frei João da Madre de Deus, a comunidade decidiu reiniciar a obra e confiou a Manuel do Couto a finalização do projecto e a construção de uma galeria aberta – a modo de loggia – sobre a nave das capelas orientadas ao meio-dia. A Varanda dos Reis é feita em correspondência com a estatuária do Portal. É da mesma fábrica e foi contratada em 1683 pelo mestre de pedraria e arquitecto Manuel do Couto. Na cornija, por cima das galerias, sobressaem seis pirâmides, assentes em pedestais e no paramento à esquerda do pórtico abre-se um janelão setecentista que ilumina o transepto.

Claustro

Na igreja conventual, o claustro encostado à igreja “para onde, no rés-do-chão, abriam as salas em que se realizavam os restantes actos da vida comum, a casa ou sala do capítulo para as reuniões solenes de instrução e correcção e governo, às quais assistiam os frades de todos os tempos, porque a sala era também cemitério, o refeitório, com as dependências de sua serventia, e algumas vezes a biblioteca; em cima, a toda a volta, corriam os dormitórios, com celas individuais para o estudo e repouso; ao redor do edifício, campo clausurado para espairecimento e amanho". Este claustro de estilo maneirista, é composto de dois pisos, com arcaria de volta perfeita entre contrafortes, no primeiro, e colunata jónica, no segundo. Mateus Lopes, ao riscar este claustro, ter-se-á inspirado no de São João de Poio, em Pontevedra, na Galiza, feito uns anos antes por ele. A Fonte central, com taças sobrepostas.

O convento de S. Gonçalo de Amarante foi fundado em 1540 por D. João III, sendo lançada a primeira pedra em 1543 (por Frei João de Ledesma), iniciando-se as obras pelas áreas de anexos e serviços, dormitórios, refeitórios e sacristia. A sua construção irá prolongar-se até ao reinado de Filipe I de Portugal, como está bem patente na inscrição das majestosas bases das colunas que enquadram o arco da capela-mor e na “Varanda dos Reis”, onde estão patentes as imagens dos “patrocinadores” da obra: D. João III (1521-1557), D. Sebastião (1557-1578), Cardeal D. Henrique (1578-1580) e D. Filipe I (1580- -1598).O portal apresenta nítidas semelhanças com os portais da Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo. A geografia do local, rio Tâmega dum lado, rocha granítica do outro, causou grandes dificuldades ao início da obra, tendo sido muito custoso alicerçar as fundações da construção. O segundo claustro foi construído posteriormente, logo nas primeiras décadas de seiscentos. A cúpula, zimbório e janelas foram construídos pelo mestre Domingos de Freitas a partir de 1641


Fachada Retábulo

A fachada lateral Sul da igreja de S. Gonçalo de Amarante é uma peça relevante dentro do panorama português e chave para compreender a génese das grandes fachadas – retábulo do último renascimento português e galego: o culto da Virgem como intercessora entre o Homem e a Divindade que aparece acompanhada pelos grandes varões da Ordem Dominicana. Dominada pelo soberbo pórtico, com arco pleno, enquadrado por estrutura de três registos, sendo o primeiro flanqueado por quatro colunas coríntias caneladas, assentes em robustos pedestais, enquadrando duas estátuas (São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão). O registo intermédio, é constituído por uma fiada de seis colunas estriadas e entablamento decorado, com imagens de São Gonçalo sobre a ponte/plinto ameada, São Pedro Mártir e São Tomás de Aquino. O último tem colunas salomónicas, pinaculados, volutas, cartelas e um nicho abrigando uma imagem de Nossa Senhora do Rosário. No fastígio do frontão, de tímpano ornamentado, apruma-se o escudo real enlaçado com o dos dominicanos.

Fachada-Retábulo

VISITA VIRTUAL DO CONVENTO DE S.GONÇALO DE AMARANTE



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